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Que paz queremos construir?

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Neste Dia Internacional da Paz, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover o cessar-fogo e fortalecer uma cultura de paz e não violência, a Confederação Sindical da Educação dos Países de Língua Portuguesa (CPLP-SE) reafirma a necessidade de refletirmos sobre que paz queremos construir e que mundo queremos deixar para as próximas gerações.
Vivemos uma realidade marcada por conflitos, pela intensificação das disputas geopolíticas e pela ampliação dos investimentos e das estruturas voltadas para a guerra. Enquanto se fala em paz, governos ampliam arsenais, fortalecem alianças militares e desenvolvem novas tecnologias para os conflitos. As guerras também assumem novas formas, por meio da chamada guerra híbrida, que combina ações militares e não militares, disputas econômicas, ataques cibernéticos, desinformação e outras formas de pressão e desestabilização. Ao mesmo tempo, as desigualdades sociais e econômicas se aprofundam e deveriam estar entre as principais preocupações dos governos, pois o enfrentamento dessas desigualdades é também uma forma de prevenir conflitos. Muitas guerras estão relacionadas a disputas por recursos, interesses econômicos e pelo controle de territórios e espaços estratégicos, inseridos em uma complexa disputa geopolítica pelo poder e pelo controle das riquezas.
Diante disso, cabe perguntar: como falar em paz quando, em vez de buscar o diálogo e a negociação, governos intensificam estratégias que alimentam a lógica da guerra?
Para nós, paz não pode significar apenas a ausência de confrontos armados.
Existe paz onde não há justiça social?
Existe paz onde a democracia é enfraquecida?
Existe paz onde a migração é tratada como ameaça e pessoas que são obrigadas a deixar seus países encontram rejeição, discriminação e negação
de direitos?
Existe paz onde o trabalho e a dignidade humana não são respeitados?
A construção de uma verdadeira cultura de paz exige diálogo, democracia, solidariedade, respeito aos direitos humanos, justiça social e valorização do trabalho. Exige também enfrentar as desigualdades e as diferentes formas de violência que atravessam as sociedades e alimentam conflitos.
E a educação tem um papel fundamental nesse processo.
A escola é um dos espaços privilegiados para a construção de uma cultura de paz. É onde se aprende a dialogar, respeitar as diferenças, conviver com a diversidade, enfrentar preconceitos e compreender que os conflitos podem ser resolvidos pela negociação e pelo respeito, e não pela violência.
Educar para a paz é formar sujeitos capazes de defender a democracia, os direitos humanos, a solidariedade e a convivência entre os povos.
Neste Dia Internacional da Paz, a CPLP Sindical da Educação reafirma que a paz é uma construção coletiva e permanente. Uma construção que precisa estar presente nas relações entre os povos, nas políticas dos governos e também no cotidiano das nossas escolas e comunidades.
admin

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