O ato de ensinar como atividade remunerada remonta à Antiguidade Clássica, especialmente à Grécia Antiga, no século V a.C. Os Sofistas, que eram intelectuais, mestres e filósofos itinerantes, viajavam pelas pólis cobrando para ensinar técnicas de persuasão, discurso e debate aos jovens aristocratas. Eles foram os primeiros DOCENTES itinerantes remunerados que se tem registro, ensinando retórica, oratória e política àqueles que buscavam participar e ascender na vida pública das pólis gregas.
No presente, segundo dados da UNESCO, somos cerca de 85 a 90 milhões de DOCENTES em todo o planeta. As constantes transformações da sociedade ampliam os desafios da nossa atuação profissional. Além de ensinar os conteúdos acadêmicos, precisamos contribuir para que as e os estudantes aprendam a selecionar informações, identificar fontes confiáveis, checar fatos e analisar criticamente os impactos das novas tecnologias na educação, no mundo do trabalho e na vida cotidiana.
Nossa atuação também envolve dimensões essenciais da formação humana.
Trabalhamos para desenvolver a empatia, a inteligência emocional, a capacidade de trabalhar em equipe, a resiliência e o diálogo como instrumento para a resolução de conflitos. Ao mesmo tempo, buscamos estimular a construção coletiva do conhecimento.
Adaptamos nossas estratégias pedagógicas para respeitar as diferenças nos ritmos de aprendizagem, nas formas de aprender e nas necessidades educacionais específicas de nossas e nossos estudantes, buscando garantir um ambiente educacional inclusivo e equitativo. Diante das transformações tecnológicas, também somos chamados a orientar o uso ético, crítico e responsável das ferramentas digitais e das redes sociais, preparando os estudantes para os desafios do mundo do trabalho e da convivência em sociedade.
Toda essa importância levou à instituição do DIA MUNDIAL DAS PROFESSORAS E DOS PROFESSORES, celebrada em 5 de outubro. A data foi estabelecida pela UNESCO para homenagear as educadoras e os educadores e chamar a atenção mundial para a importância e os desafios enfrentados por quem ensina. O marco escolhido foi a adoção, em 1966, da Recomendação da UNESCO e da OIT relativa ao Estatuto dos Professores.
Esse documento é uma referência internacional para a profissão docente, ao estabelecer diretrizes relacionadas aos direitos e deveres, à formação, à carreira e às condições de trabalho. Celebrar esse dia significa, portanto, reconhecer nossa contribuição para a formação e o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos e, consequentemente, para o desenvolvimento de toda a sociedade.
Significa também reafirmar a defesa dos nossos direitos e de condições adequadas de trabalho, pressionando os governos de nossos países pela valorização profissional, por salários dignos, ambientes de trabalho seguros e infraestrutura escolar adequada ao desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Significa, ainda, enfrentar o déficit global de docente criar condições para que as novas gerações encontrem na docência uma profissão valorizada e uma carreira na qual desejem ingressar.
E para o futuro?
A Internacional da Educação (IE), organização sindical mundial que representa mais de 33 milhões de Trabalhadores em Educação, por meio de suas entidades filiadas atuantes em 178 países, reivindica que os governos ampliem o financiamento público da educação pública, garantindo melhores salários, salas de aula adequadamente estruturadas e recursos suficientes para o trabalho pedagógico. Da mesma forma, defende o enfrentamento dos processos de privatização e da mercantilização da educação pública.
A IE reivindica políticas capazes de tornar a carreira docente atraente para as novas gerações, assegurando professoras e professores devidamente qualificados em todas as salas de aula, contribuindo para enfrentar o déficit global de docentes.
Também defende a redução das cargas horárias excessivas, o combate à precarização das relações de trabalho e aos contratos temporários abusivos, além da garantia de aposentadoria e proteção social dignas. No campo da saúde, reivindica políticas nacionais voltadas à proteção da saúde física e mental das professoras e dos professores e ao enfrentamento do esgotamento profissional no magistério (burnout).
A IE sustenta que professoras e professores devem participar ativamente do desenvolvimento dos currículos e da formulação das políticas educacionais, preservando sua autonomia pedagógica e sua liberdade de ensinar. Defende, ainda, a participação efetiva dos sindicatos da educação no diálogo social e nos processos de decisão dos governos sobre o presente e o futuro das escolas.
No campo tecnológico, a IE defende que as ferramentas digitais e a inteligência artificial sirvam exclusivamente como apoio pedagógico e estejam sob orientação docente. A tecnologia pode contribuir para o processo educativo, mas telas e algoritmos não substituem a relação humana entre professor e estudante. É por reconhecer a centralidade dessa relação que a Internacional da Educação desenvolve uma campanha para que a UNESCO reconheça a relação professor-estudante como patrimônio da humanidade.
A entidade também reivindica regulamentação capaz de proteger os dados de estudantes e profissionais da educação contra usos comerciais indevidos e defende políticas públicas que enfrentem as desigualdades de acesso às tecnologias digitais.
Outro eixo é a formação profissional. A IE defende o direito a uma formação inicial sólida e à formação continuada, em nível superior e inteiramente custeada pelo Estado, assegurando às educadoras e aos educadores as condições necessárias para atuar em escolas cada vez mais diversas, inclusivas e tecnológicas.
Essas pautas ganharam maior projeção institucional com as recomendações do Painel de Alto Nível das Nações Unidas sobre a Profissão Docente, que destacou a necessidade de valorizar a profissão e ampliar os investimentos nas professoras e nos professores. Essas recomendações fortalecem uma agenda internacional que reconhece que não existe educação de qualidade sem profissionais valorizados, qualificados e com condições adequadas de trabalho.
Convido você a conhecer e divulgar amplamente essas novas recomendações. Juntas, juntos e juntes precisamos ampliar a mobilização internacional para fortalecer a profissão docente e defender a atualização dos marcos internacionais que orientam nossos direitos e nossas condições de trabalho, incluindo as Recomendações de 1966, relativas à educação básica, e de 1997, referente ao ensino superior.
VIVA O NOSSO DIA MUNDIAL! SIGAMOS FIRMES NAS LUTAS!
Heleno Araujo Filho
Professor da Educação Básica, Secretário Geral da Confederação Sindical Educação dos Países de Língua Portuguesa (CPLP-SE) e Vice-Presidente da Internacional da Educação para a Região da América Latina (IE)









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